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Após 22 anos, transporte universitário de Pirapora é suspenso e coloca em risco o futuro de centenas de estudantes

quarta-feira, 22 de julho de 2026

/ by UPira

AUTP anuncia paralisação por inviabilidade financeira, relata entraves burocráticos e faz apelo por uma solução que preserve o acesso ao ensino superior na região.

Redação Pirapora News / com informações do Gazeta Norte Mineira 


A suspensão, por tempo indeterminado, do transporte universitário em Pirapora marca um momento de preocupação para centenas de estudantes que dependem do serviço para frequentar instituições de ensino superior e cursos técnicos em cidades da região. O anúncio foi feito pela Associação dos Universitários e Técnicos de Pirapora (AUTP), que atribui a paralisação à inviabilidade financeira após meses de tentativas para viabilizar a continuidade das atividades.

Criada há 22 anos, a AUTP tornou-se uma das principais iniciativas de apoio ao acesso à educação no município. Ao longo desse período, a entidade estima ter contribuído para a formação de mais de 1.700 profissionais, entre médicos, enfermeiros, professores, engenheiros, advogados, administradores, técnicos e especialistas de diversas áreas, muitos deles atuando atualmente em Pirapora e em cidades do Norte de Minas.

Agora, segundo a associação, a continuidade desse trabalho tornou-se insustentável.

Processo enfrentou sucessivos entraves

De acordo com a diretoria da AUTP, o pedido de subvenção municipal foi protocolado em novembro de 2025, com o objetivo de evitar atrasos na liberação dos recursos necessários para o início das atividades deste ano.

Entretanto, conforme relata a entidade, o processo administrativo passou por uma série de exigências ao longo da tramitação. A documentação precisou ser reapresentada diversas vezes, novas certidões foram emitidas devido ao vencimento das anteriores e houve protocolos realizados tanto de forma física quanto digital.

Ainda segundo o comunicado, somente após contato direto com o prefeito foi possível localizar o processo e dar prosseguimento aos trâmites administrativos.

Na etapa seguinte, a administração municipal informou à associação que o modelo jurídico utilizado durante anos para operacionalizar a subvenção apresentava impedimentos legais, impossibilitando a continuidade do procedimento na forma anteriormente adotada.

Embora a observância da legislação seja uma exigência da administração pública, a situação evidencia o desafio de encontrar alternativas legais capazes de assegurar a continuidade de um serviço considerado essencial para centenas de estudantes.

Custos continuaram enquanto processo seguia

Mesmo com o andamento das tratativas, as atividades acadêmicas não foram interrompidas. As universidades mantiveram o calendário letivo, as mensalidades continuaram sendo cobradas e o transporte permaneceu necessário para que os alunos chegassem às instituições de ensino.

Segundo a AUTP, a diretoria utilizou recursos próprios para manter os ônibus em circulação durante o maior tempo possível.

A entidade afirma que a tesoureira assumiu despesas relacionadas à emissão de documentos e certidões exigidos durante o processo administrativo. Já a presidente realizou um aporte emergencial de aproximadamente R$ 13 mil para evitar que um dos veículos permanecesse retido, o que poderia gerar prejuízos ainda maiores.

Apesar dos esforços, a associação informa que acumulou uma dívida próxima de R$ 275 mil junto à empresa responsável pelo transporte. O custo mensal do serviço gira em torno de R$ 55 mil, valor que, segundo a entidade, tornou inviável a continuidade das operações sem a subvenção pública.

Impacto direto na vida dos estudantes

A paralisação do transporte atinge principalmente estudantes que dependem do serviço para frequentar instituições de ensino em outros municípios.

Para muitos deles, o deslocamento diário representa a única possibilidade de continuar a graduação ou um curso técnico. Sem o transporte, cresce a preocupação com a possibilidade de abandono dos estudos, especialmente entre alunos que não possuem condições financeiras para custear viagens particulares.

Além dos impactos individuais, a suspensão também repercute no desenvolvimento do município. O transporte universitário é apontado como um dos instrumentos que contribuíram para a formação de profissionais qualificados que, posteriormente, passaram a atuar em áreas estratégicas da cidade, como saúde, educação, engenharia, administração e outros setores.

Apelo por uma solução

No comunicado, a AUTP faz um apelo para que Poder Executivo, Câmara Municipal, Ministério Público, órgãos de controle e demais representantes da sociedade busquem, de forma conjunta, uma alternativa juridicamente viável que permita a retomada do transporte universitário.

A associação destaca que, após mais de duas décadas de atuação, o serviço ultrapassou a função de simples deslocamento entre cidades e tornou-se um importante instrumento de inclusão educacional e desenvolvimento social para Pirapora.

Enquanto não houver uma solução, centenas de estudantes permanecem sem previsão de retorno do transporte, em um cenário que amplia as incertezas sobre a continuidade de seus estudos e reacende o debate sobre a importância de políticas públicas voltadas ao acesso ao ensino superior.

Ponte da Barra

Além das dificuldades financeiras, outro fator tem aumentado os desafios enfrentados pela entidade. A interdição parcial da Ponte da Barra, principal ligação entre Pirapora e Buritizeiro, tem dificultado a circulação dos ônibus e ampliado o tempo de deslocamento, gerando impactos na operação do transporte universitário. Embora não seja apontada como a causa da suspensão, a situação contribui para tornar ainda mais complexa a manutenção do serviço.

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