Comerciantes e moradores cobram ações mais efetivas diante da ocupação de espaços públicos
Redação Pirapora News
A presença cada vez mais visível de pessoas em situação de rua deixou de ser apenas parte da paisagem urbana e passou a ocupar o centro do debate público em Pirapora. Moradores, comerciantes e turistas relatam sensação de insegurança, constrangimento e prejuízos econômicos, sobretudo na região central da cidade, onde homens, mulheres e até crianças ocupam calçadas, praças e outros espaços de uso coletivo.
O cenário local dialoga com uma realidade observada em todo o país. Estudo preliminar do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, aponta crescimento expressivo da população em situação de rua no Brasil ao longo da última década. Em Pirapora, no entanto, a administração municipal afirma que os números oficiais não acompanham essa tendência. Ainda assim, a percepção de agravamento do problema segue mobilizando a opinião pública.
A concentração de pessoas em situação de rua na principal praça da cidade intensificou as reclamações. Moradores citam episódios de vandalismo, perturbação da ordem e, em alguns casos, ameaças. Também são frequentes as abordagens insistentes para pedidos de dinheiro, que, segundo denúncias, estariam associadas ao consumo de drogas. A situação tem afastado frequentadores e alterado a dinâmica de um dos principais espaços públicos do município.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Pirapora informou, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, que a análise dos dados oficiais do Registro Mensal de Atendimentos do Centro POP não aponta crescimento da população em situação de rua entre o início de 2025 e o início de 2026. De acordo com a administração, os registros indicam apenas oscilações mensais dentro de um mesmo patamar, com redução da média de atendimentos no último quadrimestre em comparação aos primeiros meses do ano.
Ainda segundo o município, essas variações estariam relacionadas principalmente à mobilidade territorial das pessoas atendidas e ao fortalecimento das ações de acompanhamento social, não caracterizando aumento real dessa população em Pirapora. A Prefeitura afirma manter monitoramento contínuo da situação, com ações integradas entre diferentes secretarias.
Enquanto dados oficiais e percepções da população seguem em confronto, uma constatação se impõe. O problema é urgente, afeta diretamente a vida urbana e exige respostas que ultrapassem medidas pontuais. Ignorar essa realidade significa permitir que a desigualdade continue ocupando espaço nas ruas e no cotidiano da cidade.

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