Responsive Ad Slot

Últimas notícias

latest

“Vai Brasa” ou Vai dar polêmica? A camisa da seleção 2026 e o jogo arriscado do marketing

quarta-feira, 25 de março de 2026

/ by UPira

Coluna Marketing e Negócios

por Diogo Lopes 

Fotos: Divulgação Nike

 A camisa da seleção brasileira sempre foi mais do que um uniforme. Ela funciona como um símbolo coletivo, um ponto de encontro entre identidade nacional, memória afetiva e projeção global. Por isso, quando surgem mudanças ou campanhas em torno dela, a reação raramente é neutra. Em 2026, não foi diferente.

A Nike revelou nesta segunda-feira (23) a nova camisa amarela da seleção brasileira, mas o lançamento ganhou repercussão inesperada depois que um vídeo divulgado durante o anúncio mostrou um canarinho com três pernas.

A polêmica começou com o novo design, que dividiu opiniões ao mexer em elementos considerados “intocáveis” por parte da torcida. Para muitos, a camisa precisa manter uma continuidade visual que represente tradição. Para outros, inovação é necessária para manter a marca relevante. Esse conflito revela um ponto central do marketing esportivo, equilibrar legado e renovação.



A situação ganhou ainda mais repercussão com o slogan “Vai Brasa”. A proposta parecia clara, aproximar a seleção de uma linguagem mais jovem, mais digital, mais conectada com memes e expressões populares. No entanto, a recepção mostrou que nem toda tentativa de modernização é automaticamente bem recebida. Parte do público interpretou o slogan como artificial, quase uma tentativa forçada de parecer autêntico.

Do ponto de vista de marketing, o caso é interessante porque expõe um erro comum, confundir linguagem de internet com conexão real. Marcas fortes não precisam apenas “soar jovens”, elas precisam ser percebidas como legítimas dentro daquele contexto cultural. Quando há desalinhamento, o público reage rapidamente, especialmente nas redes sociais, onde a crítica se espalha em escala e velocidade.

Ao mesmo tempo, a polêmica também gera visibilidade. E visibilidade, no marketing, tem valor. O debate em torno da camisa e do “Vai Brasa” colocou a seleção no centro das conversas, ampliando alcance e engajamento. Existe até um paradoxo aqui, campanhas criticadas podem performar melhor em termos de atenção do que campanhas seguras e esquecíveis.


Outro ponto importante é o papel da emoção. A seleção brasileira não é uma marca qualquer. Ela carrega expectativas históricas, vitórias, derrotas marcantes e um senso de pertencimento muito forte. Qualquer intervenção, seja estética ou comunicacional, ativa esse repertório emocional. Isso torna o trabalho de branding mais complexo, porque o público não reage apenas como consumidor, mas como parte interessada.

No fim, a polêmica da camisa de 2026, do “Vai Brasa” e até do canarinho com três pernas reforça uma lição fundamental, marketing não é só criatividade, é contexto. Entender profundamente o público, suas referências e seus limites simbólicos é tão importante quanto inovar. Quando esse equilíbrio falha, a reação vem rápida. Quando funciona, a marca não só vende mais, mas também fortalece sua identidade.


E talvez esse seja o verdadeiro desafio da seleção fora de campo, jogar bem no imaginário coletivo, onde cada detalhe importa.




Diogo A. de Ávila Lopes – Publicitário, Graduado em Comunicação Social com Bacharelado em Publicidade e Propaganda, possui MBA em Marketing Internacional e Formação de Traders; é Sóc da Agência Kamaleão Comunicação LTDA, Especialista em Soluções Digitais, Empretec 2018 (Sebrae), Vice-presidente e Coordenador de Marketing e Projetos da Associação de Artes Marciais, Educação e Cultural IEKO em Curvelo/MG. 





*O conteúdo e imagens publicadas são de inteira responsabilidade de seu autor e não reflete a opinião do site.
Don't Miss
© all rights reserved
made with by templateszoo