Dados do Igam mostram que poluição urbana e industrial afeta qualidade da água em diversos trechos do Velho Chico dentro do estado
Redação Pirapora News
Foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A PressO Rio São Francisco tem deixado Minas Gerais em condições melhores do que aquelas encontradas em boa parte do percurso dentro do próprio estado. É o que aponta um levantamento com base em dados do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), divulgado em reportagem do Jornal Estado de Minas.
Segundo o estudo, menos da metade das amostras coletadas na calha principal do Velho Chico em Minas apresentou qualidade considerada “boa” nos últimos 10 anos. Apesar disso, ao alcançar a divisa com a Bahia, o rio registrou melhora significativa nos índices de qualidade da água.
As análises mostram que o São Francisco consegue recuperar parte de suas condições naturais ao longo do trajeto, especialmente após receber águas de afluentes menos poluídos nas regiões Norte e Noroeste de Minas Gerais.
Os dados do Igam também apontam níveis preocupantes de contaminação em trechos influenciados por áreas urbanas e industriais. Entre os principais fatores avaliados estão presença de esgoto doméstico, resíduos sólidos, metais pesados, nitratos, bactérias e substâncias tóxicas.
Um dos pontos mais críticos identificados pelo levantamento ocorre após o encontro do Rio das Velhas com o São Francisco, na região de Várzea da Palma. O afluente carrega impactos ambientais provenientes da Região Metropolitana de Belo Horizonte e de outros centros urbanos.
Em cidades do Norte de Minas, como Pirapora, Buritizeiro e Januária, os índices de qualidade também apresentaram oscilações ao longo dos últimos anos, refletindo os impactos da ocupação urbana e do despejo de resíduos nos cursos d’água.
Ainda de acordo com os dados analisados:
- • 70% das amostras na saída de Minas apresentaram baixa toxicidade;
- • 20% registraram nível médio de contaminação;
- • 10% indicaram alta carga tóxica.
Especialistas e representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) alertam que a poluição do Velho Chico compromete o abastecimento, a biodiversidade, a pesca, o turismo e a economia de milhares de famílias que dependem do rio.
O CBHSF afirma que tem intensificado campanhas de conscientização e projetos de revitalização da bacia, com foco em saneamento básico, recuperação de nascentes e destinação correta de resíduos sólidos.
Considerado um dos rios mais importantes do país, o São Francisco atravessa cinco estados e abastece milhões de brasileiros em todo o Nordeste.

Jornalismo regional com conteúdos autorais e informação de utilidade pública.